terça-feira, 8 de março de 2011

ENTREVISTA COM CESAR DE XANGÔ KAMUKA !!!!!


QUEM É VC? (NOME RELIGIOSO- LADO-ORIGEM E ATUAL SITUAÇÃO)

Sou Marcos Cesar Regis,de Xangô Kamuká,Sacerdote Babalorixá de Nação Kabinda,com 39 anos de feitura,Feito Por Maria Olivia de Mattos de Ogun Adjolá Akiolá,Feita por Palmira Tores de Oxum Pandá Olobomí,feita Por Waldemar Antonio dos Santos de Xangô Kamuká Baruálofina.Resido na Cidade de São Leopoldo onde também pratico o Sacerdócio no Ilê Kabinda Kamuká Tubadê.



1) Qual sua posição sobre a feitura de orixá no momento atual da religião?

A feitura de orixás nos dias de hoje tem se tornado uma moeda de troca pelos mais diversos motivos que se possa imaginar.Hoje tudo é motivo para se fazer orixás,desde um cliente atendido até mesmo algum orixá que ainda não se possua na casa e para isto são usados os mais variados artificos de convencimento..Situação esta responsável pelo grande numero de orixás feitos,casas que abrem do dia pra noite e sacerdotes que de sacerdotes só possuem o nome..

2) Qual sua posição sobre a questão ecológica tão em voga na atualidade x a perpetuação do culto?
A questão mais importante de nosso culto é a ecologia,pois toda a natureza é ferramenta de energia de orixás,que usamos dioturnamente em nossas vidas.Infelismente não se vê falar,discutir ou defender o tema,o que caminha com certeza para o fim dos recursos naturais que os orixás nos presentearam e mais a mudança gradativa do culto para adaptações.

3) Qual a sua posição pessoal sobre o tabu da ocupação?
Como a própria palavra diz(tabu) é aquilo que não se quer falar,portanto não é que não pode se discutir,falar,estudar,entender e sim simplesmente não se quer falar por uma questão de sobrevivência ao culto e em minha opinião pessoal deveria permanecer tabu e de minha parte tudo faria para mantelo.

4) Qual sua posição sobre a atual cenário da religiosidade afro-gaucha?
A religiosidade Afro Gaucha é única,incopiavel,inassociavel a qualquer pré parâmetro existente,não encontraremos nosso culto em particular em nenhum livro,em nenhuma palestra,em região alguma nacional ou estrangeira.Possuimos uma diversidade tão grande de facetas que até mesmo nós de dentro nunca conseguimos entender o todo e só muito recentemente temos buscado aproximas os diversos prismas de visão sobre ela.

5) Como você vê o crescente aumento de casas de religião ?
Infelismente com tristeza e uma certa preocupação e receio,pois temos poucos exemplos de casas que abrem e praticam o que foram ensinados e muitos exemplos de adaptações ou até mesmo criações de novos preceitos.Nós sacerdotes temos que ser mais responsáveis pelo que fazemos e primarmos pela qualidade e não quantidade,principalmente dando mais valor e respeito aos desígnios dos orixás do que os das pessoas e os nossos mesmos.

6) O quanto a inter relação dos meios de comunicação e redes sociais já interferiu no seu culto ?
As redes sociais interferiram positivamente no culto que pratico,me permitiram conhecer mais diversidade,a abertura de uma gama muito grande de amigos e afins, a condição de discussão,comparação,e até mesmo de identificação do que posso ou não me aprocimar.
Definitivamente os meuios de comunicação eletrônicos e redes sociais se bem utilizados podem e muito contribuir para o culto e mobilidade da informação de senso comum.

7) O que você entende por ser zelador de santo?
Zelador de santo para mim a palavra mais correta de definição do sacerdote é a primazia da ética,fé,dedicação e pratica no trato direto e compromissado com o orixá.Gostamos de dizer que fazemos santos,que damos fala a santos,que provamos santos,que tratamos santos,quando na verdade não passamos de manipuladores de parcelas de energias que os orixás nos permitem manipular e direcionar.Em meu ver quem sabe,quem pode e quem faz é o orixá,o zelador acha que sabe,procura insistentemente saber,mas nunca saberá o bastante pois os únicos que detem este conhecimento são os orixás.

8) Qual a maior dificuldade do zelador de santo hoje em relação aos seus seguidores?
Em minha visão eu inverteria esta pergunta no sentido de que um bom sacerdote com seus axés em dia com sua obrigações em dia,com axé de búzio que realmente tenha axé nem mesmo passaria dificuldades com seus seguidores,pois se passar foi o próprio sacerdote que deixou passar algo em que deveria ter visto. O que pode se frizar talvez seja a ânsia e pressa de seguidores em pular as fazes de preceitos ou apressalas e o mais rápido possível se tornarem sacerdotes,mas mesmo assim deveria o sacerdote ter identificado isto antes nos búzios.

9) Defina em ordem cronológica como se dão as obrigações de seu lado?
1-Lavagem de cabeça o primeiro passo dentro dos preceitos e pode ocorrer em situações diferentes como a feitura inicial de  um cru,ou a retirada de mão de uma sacerdote que tenha partido,ou ainda a retirada de mão de um iniciado que tenha por um motivo ou outro saído da casa em, que estava e entrado em um nova.
2-Bori é a obrigação mais importante de nossos preceitos e representa nossa individualidade,nosso eu interior,nosso orixá particular que não possui nome nem forma,orixá este que nos direcionará em nossos caminhos inclusive nos determinando os orixás que nos comporão o ajunto e farão da composição de suas energias o bem que precisamos e almejamos.
3-Apronte consiste em fazer os orixás correspondentes ao ajunto de uma pessoa.
4-Feitura de irunmalé que consiste em complementar os orixás nescessários para a feitutra de um sacerdote.
5-Feiitura dos axés que consiste em faca,búzios e demais apetrechos de nescessidade para o sacerdote manipular as energias e se tornar um zelador de orixás.
6-Feitura do sacerdote que consiste em lhe dar os orixás de rua e lhe permitir colocar em pratica o que aprendeu e com acompanhamente mostrou-se capaz de cumprir e honrar.

10) O que você entende por pós morte do africanista gaucho ritos e obrigações e relação com o ancestral
?
Nós kabindas primamos por este preceito de preservação e continuidade ao ancestral,tanto que não os tratamos como diferentes e sim como iguais,apenas com a diferença da ausência do corpo carnal.Uma vez ancestral sempre ancestral não é a falta de um corpo que o retira de nosso meio ou o afasta de nós muito pelo contrario este ancestral tem mais mobilidade e condições de nos acompanhar em nossa caminhada ainda presos em corpos carnais..Quanto a missa e passagem primamos pela liberdade de espírito e o desligamos de tudo que o ligava ao mundo material.Tenho visto com tristeza que este conhecimento de rito e passagem tem sido utilizado para digamos prender e utilizar como arma nossos ancestrais,talvez no intuito de causar medo ou um falso respeito e poder que não possuem.

11) Deixe sua mensagem de despedida em 140 caracteres !!!
A todos os irmãos e irmãs,sacerdotes,iniciantes e simpatizantes do culto deixo meu recado pedido.
Procuremos dentro de nós mesmos todas as armas possíveis de preservação deste legado tão rico e grandioso que temos.Somente nós mesmos poderemos fazer ou não algo por nosso culto.

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